junho 01, 2024

Capitulo 43 – A véspera

Amanhã seria o grande dia. Acordei muito tarde, bem descansada. Os raios de sol não invadiram meu quarto, pois as pesadas cortinas estavam completamente fechadas. Eu sabia que era tarde, pois ouvi o som das charretes de comerciantes e fornecedores chegando ao palácio. Os carregamentos para o banquete e uma quantidade absurda de flores.
Afastei uma pequena parte da cortina. Lembrei-me que adormeci com Phillip no meu quarto. Onde ele estava? Abri a porta e os guardas estavam de pé do lado de fora. Onde ele estava? Fui até o banheiro e tomei um bom banho quente. Ainda sentia alguma dor da fraqueza de antes, mas estava melhor e a água quente ajudava. Chamei Anna, que me ajudou a me vestir. Coloquei um belo vestido azul celeste. Saí do quarto ao lado de minha aia. Seguimos para o salão de jantar onde pude ver Phillip sentado ao lado do rei na ponta da mesa de café-da-manhã, Lucas sentado do outro lado da mesa aparentando uma leve irritação.
Parei de respirar. Como? É dia! Olhei ao redor e todas as cortinas e janelas do palácio estavam completamente fechadas. O sol não entrava nem por uma fresta. O rei me chamou com um aceno de mão e fui até ele. Ele apontou para que eu sentasse a sua direita, Phillip estava a sua esquerda.
- Bom dia, Vossa Majestade, Sua Alteza. - falei me sentando
- Como minha filha está? Está melhor hoje? Parece mais descansada, mas não está bem ainda. - o Rei falou colocando sua mão sobre a minha – Pensei que você já estaria bem melhor, mas talvez devêssemos adiar mais um pouco o evento de amanhã.
- Não! - respondi rapidamente e talvez um pouco alto, fazendo muitos olhos na sala se voltarem para mim. Pude notar o olhar com o sorriso malicioso no rosto do noivo. - Quero dizer, estou bem. Só me alimentarei e descansarei por hoje, será o suficiente, vossa majestade, não há necessidade de mais adiamentos.
- Há alguns meses a princesa não queria que esse dia chegasse, mas agora parece que está ansiosa pelo dia de amanhã. - Phillip falou com ironia sem retirar o sorriso dos lábios.
Fiquei em silencio olhando para o meu prato enquanto comia. Preferi não responder, apenas terminei a minha refeição. Pedi licença e saí em direção à biblioteca. Entrei em silêncio, peguei um livro e sentei-me na poltrona em frente a janela completamente fechada. Dessa vez consegui ler bastante, cheguei praticamente na metade do livro. Parece que ter parte das respostas às minhas perguntas havia ajudado minha mente a sair da ansiedade anterior.
- Posso te dar mais respostas! - ouvi a voz de Phillip assertiva, quando ele entrou pela porta da biblioteca e caminhou em minha direção sentando-se na poltrona bem ao meu lado - Mas também quero uma resposta.
- Justo! - falei sem retirar os olhos do livro – Pode me perguntar o que quer saber.- falei ainda olhando para o livro.
- Você havia me falado que estava se apaixonando por mim. Seu pai me falou da conversa que vocês tiveram, na mesma noite em que você voltou após ter ido me ver na cabana. Posso perguntar o que Vossa Alteza sente por mim? - ele falou retirando o livro das minhas mãos e fechando-o – mas quero que me responda olhando nos meus olhos.
- Sim, eu estou completamente apaixonada por você, Phillip! - respondi olhando em seus olhos e aproximando meu rosto do dele. - Você me protege e parece querer cuidar de uma menina mimada e teimosa como eu, então… espero que seja a resposta que você busca. - falei pegando o livro de volta das mãos dele e afastei-me dele recostando na poltrona.
Ele recostou em sua poltrona e ficou olhando diretamente para mim.
- Larga esse livro! - ele falou depois de alguns momentos em silêncio.
- Podemos conversar, mas qualquer um pode entrar aqui e nos ouvir. - falei com receio, ainda segurando o livro aberto
Ele levantou rapidamente e quase como um borrão foi até a porta, girou a chave, trancando a porta e voltou a sentar em sua poltrona agora aparentemente mais relaxado.
- Agora teremos um pouco mais de privacidade. O que mais você queria saber sobre vampiros? - ele perguntou tomando o livro de minha mão novamente, mas dessa vez o lançando sobre uma mesa do outro lado do cômodo.
- O… o que foi isso? Como você trancou a porta? Como o livro foi… - falei assustada mais gaguejando do que falando.
- Vampiros são caçadores perfeitos. Velocidade é algo natural, difícil de controlar, força e precisão também. Por isso arremessei o livro e ele parou onde eu queria. - ele respondeu sorrindo. - Mas não quero que você tenha medo de nenhuma aptidão minha, elas servirão apenas para que eu cuide de você e te proteja.
Ele se aproximou seu rosto do meu enquanto falava, com seus lábios quase tocando os meus. E num sussurro ele completou:
- Eu te amo, minha princesa! - ele terminou a frase dando-me um leve beijo que rapidamente se transformou em um beijo mais profundo.
Quando nos afastamos para retomar o fôlego, perguntei:
- Como você sabe que nunca vai me machucar? - a pergunta saiu como uma flecha que rapidamente atingiu Phillip. Ele se afastou, se levantou de sua poltrona e começou a andar de um lado ao outro da biblioteca pensativo
- De fato há alguns instintos que não posso controlar, mas a maioria deles eu controlo. Há um constante desejo de lhe morder e provar do seu sangue, mas durante todo esse tempo em que estamos juntos tenho conseguido controlar. Aparentemente a sua presença parece saciar esta vontade. - ele falou demonstrando certa tensão e passando os dedos entre os cabelos.
Permaneci sentada. Pensando. Passou pela minha mente o fato de que eu envelheceria, mas ele não.
- E a questão do meu envelhecimento. Eu envelhecerei e morrerei. A menos que você… - parei ao imaginar com pavor em me tornar uma criatura eterna, como ele.
- Novamente, mais uma questão que não quero resolver agora. Alteza, você tem apenas 18 anos. É cedo para pensarmos em envelhecimento. - ele falou sentando-se na poltrona a meu lado calmamente – há mais alguma questão que lhe incomode e talvez te impeça de descansar ou mesmo de nos casarmos amanhã?

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