- Vossa Alteza está tentando fazer com que eu me sinta culpado pela outra noite? - ele falou ainda segurando minha cintura e puxando-me para perto dele
- Não, estou tentando conversar com Vossa Alteza de forma civilizada - respondi tentando inutilmente me soltar dos braços dele - você pode me soltar? deixe-me ir até lá fora! O rei acha que estou doente, está até pensando em adiar o casamento, mas não me sinto mal. Deixe-me ir, preciso voltar para o palácio mais cedo...
- Você não está se sentindo bem. O que você tem? - ele falou passando uma de suas mãos pela minha nuca, forçando-me a olhar para os seus olhos – você está tão pálida, parece fraca, por que se arriscou a vir até a floresta, por que não ficou descansando? - ele falou com um tom de preocupação em sua voz
- Eu precisava saber o que havia acontecido com você. Não preciso descansar... pelo menos não agora, passei as últimas semanas descansando - respondi com um tom irônico enquanto me esquivava dele e fugia para a floresta - … se quiser, pode me seguir.
Terminei de falar, consegui me soltar de suas mãos e segui rapidamente para a floresta, que agora parecia bem mais assustadora e fria a noite. Diminui a velocidade da caminhada quando senti a falta de ar e a fraqueza retornando. Vi um amontoado de folhas secas e sentei sobre elas para descansar. Após alguns minutos sozinha senti um calafrio ao ouvir uivos de lobos se aproximando. Pensei em voltar para a cabana, mas não consegui levantar, minhas pernas não respondiam. Estava muito cansada. Uma exaustão fortíssima me abateu.
Não estava acreditando, consegui correr até a cabana, consegui fugir da cabana até ali, mas agora não tinha forças para fugir. Pude ver os olhos dos lobos ao longe e fechei os olhos, porque não queria ver o que iria me acontecer. De repente ao abrir os olhos me vi cercada de lobos. Lobos famintos me cercavam. Por que não fiquei na cabana? Sentia-me uma estúpida. Iria morrer ali, meu pai puniria Anna. E o príncipe? Será que ele sentiria minha falta? Será que ele me procuraria? Quando fugi dele, não olhei para trás, não sabia se ele havia me seguido, ou se me procurava. Olhei para o alto e gritei com toda força que me restava, na esperança de ser ouvida por alguém.
Abaixei a cabeça e a cobri com a capa me encolhendo. A ideia de ver aqueles lobos me devorando não era agradável. Pensei na dor e tremia de medo. Ouvi algo que parecia uma briga entre os lobos seguida de um silêncio mortal. Estava com tanto medo de descobrir a cabeça, mas fui baixando a capa vagarosamente. A visão era assustadora: Philip de pé coberto de sangue com vinte lobos mortos ao seu redor. Seus olhos eram vermelhos e seus dentes estava enormes. O ar que me faltava antes ficou agora totalmente escasso. Comecei a sufocar.
Philip correu em minha direção, pegou-me em seus braços, que pareciam estranhamente mais fortes do que antes e me carregou de volta para a cabana. Sem falar nenhuma palavra. Durante o caminho até a cabana minha mente vagava para fora da realidade e retornava. Quando acordava percebi que ele só buscava sentir o cheiro de meus cabelos durante o trajeto. Chegando na cabana ele me colocou na cama e acendeu a lareira, descendo para a cripta sem falar uma palavra. O quarto parecia bem mais aconchegante e quente. Encolhi-me enrolando a capa ao redor do meu corpo. O ar ainda parecia rarefeito, mas eu me sentia segura agora.
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